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SUS passa a oferecer nove novos medicamentos oncológicos de alta tecnologia; medida deve beneficiar 116 mil pacientes

há 2 h (28/10/2026 12:55) · 2 · Fonte da informação: Olhar Digital

Ministério da Saúde amplia acesso a novas terapias oncológicas para cânceres como mama, próstata e pulmão. Especialista detalha indicações, funcionamento e cuidados essenciais durante o tratamento.

O Ministério da Saúde iniciou a distribuição de nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia em toda a rede pública nacional. A medida integra um plano do governo federal para expandir o acesso a tratamentos contra o câncer, cobrindo 13 indicações clínicas. Entre os tipos de câncer de maior incidência contemplados estão os de mama, próstata, pulmão e linfomas. Conforme o Olhar Digital, a projeção inicial é beneficiar mais de 116 mil pacientes em 20 unidades de saúde espalhadas por 17 estados, com a meta de alcançar toda a rede pública até o final do ano.

Novas opções de tratamento e cuidados necessários

Em entrevista ao Olhar Digital, a oncologista Maria Ignez Braghiroli, especialista em tumores do trato digestivo da Oncologia D’Or e integrante do Grupo de Tumores Gastrointestinais do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), detalhou o impacto da inclusão desses novos medicamentos no SUS. Ela abordou suas indicações e os cuidados essenciais durante o tratamento.

Entre os fármacos incorporados, destacam-se o abemaciclibe, para o tratamento do câncer de mama com receptor hormonal positivo, e o pazopanibe, indicado para casos avançados de câncer renal. A médica enfatiza que, embora essas terapias ampliem as possibilidades de tratamento, elas requerem acompanhamento médico e atenção especial durante o uso.

Abemaciclibe: via oral e controle da proliferação celular

O abemaciclibe atua inibindo proteínas que estimulam a multiplicação das células tumorais. Conforme Braghiroli, ao bloquear essas proteínas, o medicamento auxilia na interrupção da proliferação celular. Ele é empregado em um tipo de câncer de mama com receptor hormonal positivo, geralmente em combinação com terapia hormonal. Por ser de administração oral, habitualmente duas vezes ao dia, o tratamento pode ser feito em casa, desde que o paciente siga rigorosamente os horários e as doses prescritas, embora o esquema possa ser ajustado individualmente.

Entre os efeitos colaterais, a diarreia é o mais comum, surgindo principalmente nas semanas iniciais. Por essa razão, a oncologista Maria Ignez Braghiroli enfatiza a necessidade de acompanhamento médico rigoroso. Ela também adverte que, como outros medicamentos, o abemaciclibe pode causar cansaço e, em alguns pacientes, enjoo.

Pazopanibe: bloqueio da angiogênese e monitoramento cardiovascular

O pazopanibe, por sua vez, é uma terapia-alvo liberada pelo SUS para o tratamento do câncer de células renais. Ele age como um anti-angiogênico, bloqueando os sinais que promovem o crescimento tumoral e a formação de novos vasos sanguíneos, o que impede o fornecimento de nutrientes às células cancerígenas, conforme detalha a oncologista. O tratamento demanda monitoramento contínuo, especialmente da pressão arterial — que pode se elevar mesmo em pacientes sem histórico de hipertensão — e da função hepática, verificada por exames de sangue. Há também um potencial aumento do risco de sangramento, exigindo cautela em indivíduos com predisposição. Apesar desses pontos, Braghiroli considera que o pazopanibe geralmente apresenta uma tolerância aceitável, especialmente em comparação com as quimioterapias convencionais utilizadas em outros contextos.

Trastuzumabe ganha nova indicação para câncer gástrico HER2+

Uma alteração significativa refere-se ao trastuzumabe, já estabelecido para o tratamento de determinados tumores de mama com amplificação da proteína HER2. Agora, o medicamento também será disponibilizado para casos específicos de câncer de estômago e da junção entre o estômago e o esôfago que exibem essa mesma amplificação. A oncologista Braghiroli esclarece que a amplificação da proteína HER2 é observada em uma parcela dos tumores gástricos, e estudos iniciados há mais de uma década, incluindo um publicado em 2010, demonstraram o benefício do trastuzumabe para tumores de estômago, levando à sua aprovação em combinação com quimioterapia para tumores com essa característica molecular.

A pesquisa na área continua evoluindo, com um estudo de 2023 indicando benefícios na inclusão de imunoterapia ao esquema de tratamento, e novas drogas com o mesmo alvo já demonstrando resultados superiores. Para o SUS, a incorporação do trastuzumabe para essa nova indicação representa um progresso, visto que sua eficácia é comprovada há um tempo considerável, conforme a médica.

Lista dos medicamentos incorporados

De acordo com a lista divulgada pela pasta, os fármacos e suas principais indicações são:


Fonte da informação: Olhar Digital

Matéria escrita pela RedatorIA e revisada pela RevisoraIA — sistema editorial do 1nap — a partir da cobertura original do Olhar Digital.
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